
Betonilha flutuante: o que trava o barulho dos passos no andar de baixo
Num prédio novo ou reabilitado, a queixa que mais custa a resolver depois de a obra acabar é a do vizinho de baixo: ouve os passos, a cadeira arrastada, o brinquedo que cai. É ruído de percussão, e passa pela estrutura. A solução corrente é uma betonilha que não toca na laje nem nas paredes, assente sobre uma manta resiliente. Na HR Construções, em Olival, Vila Nova de Gaia, executamos betonilhas destas para construtores no Grande Porto, e o que decide o resultado é quase sempre um pormenor de execução.
O ruído que passa pela laje
O ruído aéreo, como vozes ou televisão, viaja pelo ar e atravessa paredes e pavimentos. O ruído de percussão é outro: um impacto direto no pavimento põe a laje a vibrar, e a vibração espalha-se pela estrutura até à casa de baixo e às do lado. Uma laje de betão sozinha deixa passar muito.
Os números de uma ficha técnica ajudam a perceber a ordem de grandeza. A Imperalum publicou ensaios do seu isolamento Imperimpact feitos sobre uma laje de betão normalizada de 14 cm: sem nada por cima, o nível de ruído de percussão medido foi de 80 dB. Com a manta de 5 mm e uma lajeta de argamassa por cima, desceu para 59 dB; com a manta de 10 mm, para 56 dB. São valores de laboratório, mas mostram quanto pesa a camada que fica escondida debaixo do piso.
O que a lei pede
O Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 129/2002 e republicado pelo Decreto-Lei n.º 96/2008, fixa valores máximos para o índice de isolamento a sons de percussão, o L'nT,w, entre frações. Como resume a própria ficha da Imperalum, esses máximos andam entre 50 e 60 dB, consoante a atividade do local de onde vem o ruído, e em construção corrente dificilmente se cumprem sem um elemento resiliente no pavimento.
Há um pormenor que muitos donos de obra só descobrem tarde: a conformidade verifica-se com ensaios no próprio edifício. O documento do LNEC sobre critérios de avaliação acústica, atualizado em agosto de 2025, prevê o relatório de ensaio e o parecer técnico, com a medição in situ do isolamento a sons de percussão segundo a NP EN ISO 16283-2. Ou seja, uma betonilha mal executada não aparece no orçamento, aparece no ensaio, com o pavimento final já colocado.
Como funciona: massa, mola, massa
O princípio é simples. A laje é uma massa, a manta resiliente funciona como mola e a betonilha por cima é a segunda massa. A betonilha flutua: assenta toda sobre a manta e não tem contacto rígido com a laje nem com as paredes. O impacto fica na lajeta de cima e a mola amortece o que passaria para baixo.
Basta um ponto de contacto rígido para estragar parte do efeito. É a chamada ponte acústica, e evitar pontes acústicas é o trabalho todo.
Onde se faz a ponte sem dar por isso
- Junto às paredes: a betonilha não pode encostar ao reboco. A ficha da Imperalum manda subir a manta no encontro com as paredes acima da cota do pavimento acabado; a Danosa vende para o mesmo fim uma banda perimetral de espuma com 3 mm de espessura e 200 mm de largura, que separa a betonilha das paredes. O excesso só se corta depois.
- Nas emendas da manta: a Imperalum pede sobreposição de pelo menos 10 cm. Uma frincha por onde a argamassa escorra até à laje é uma ligação direta.
- Nos tubos e caixas que atravessam o pavimento: têm de ficar envolvidos em material resiliente, e a ficha da Danosa prevê precisamente o uso da banda nestes atravessamentos.
- Na própria manta: a laje tem de estar limpa e sem saliências que a perfurem. A Imperalum pede que se regularize e limpe a superfície antes de a estender.
- Depois de nós: um rodapé ou um revestimento fixo ao mesmo tempo ao pavimento e à parede reconstrói a ponte que se evitou em baixo.
A espessura não é um pormenor
Uma betonilha fina sobre um material compressível fissura. A Imperalum indica uma lajeta com pelo menos 4 cm sobre a manta de 5 mm e pelo menos 6 cm sobre a de 10 mm. Os valores mudam de produto para produto, por isso a regra é seguir a ficha do sistema escolhido e o projeto de condicionamento acústico. Isto também conta para as cotas: com manta e lajeta mais grossa, o pavimento acabado sobe, e convém saber disso antes de fixar soleiras, portas e base de duche.
Quem faz o quê
O sistema acústico e o ensaio final são da responsabilidade do projetista e do técnico de acústica. A nós cabe executar a betonilha como o sistema exige: laje preparada, manta contínua, banda perimetral, atravessamentos tratados e espessura cumprida, verificados antes de lançar a argamassa. É um trabalho que não se vê quando a casa está pronta, e por isso mesmo é dos que mais conta.
A HR Construções executa betonilhas, rebocos e estuques em Vila Nova de Gaia e no Grande Porto, para construtores e particulares. Para orçamentos e informações, contacte o Pedro Santos pelo 918 874 688 ou em geral@hrconstrucoes.pt.
Fontes
- Diário da República, Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (Decreto-Lei n.º 129/2002, na redação do Decreto-Lei n.º 96/2008), legislação consolidada
- LNEC, Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios: avaliação acústica e critérios de amostragem, versão de 11/08/2025
- Imperalum, ficha técnica do Imperimpact (isolamento a ruídos de impacto), em anexo de trabalho académico no Repositório do Politécnico de Lisboa
- Danosa, ficha técnica do dessolidarizador perimetral Impactodan (banda perimetral para betonilhas flutuantes)
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