
Rebocar sobre betão: porque descola e como se prepara a base
Numa parede de alvenaria há quase sempre betão à vista: o pilar no canto, a viga por cima da janela, a laje no topo. O reboco que agarra bem ao tijolo nem sempre agarra a estas peças, e é nelas que mais vezes se ouve o som oco de um revestimento descolado. Na HR Construções, em Olival, Vila Nova de Gaia, rebocamos e estucamos para construtores e particulares no Grande Porto, e a preparação do betão é das fases que mais pesam no resultado e menos se veem no orçamento.
Porque o betão é um suporte difícil
Uma argamassa agarra a uma parede de duas formas: entra nos poros do suporte e prende-se à rugosidade da superfície. O tijolo e o bloco dão as duas coisas. O betão moldado em cofragem dá pouco de cada: sai liso, fechado e com absorção baixa.
Há ainda o que fica agarrado à superfície. Para o betão se soltar da cofragem, os moldes levam óleo descofrante, e uma parte fica no betão. A Secil, na ficha técnica do Redur Chapisco, chama a atenção para isto mesmo: em suporte de betão é preciso especial cuidado com a limpeza e o desengorduramento prévios, porque é frequente encontrar estas superfícies com descofrantes demasiado gordurosos e, por isso, com aderência muito diminuída. E a mesma ficha é taxativa: não aplicar sobre betão contaminado com óleos descofrantes.
Primeiro passo: limpar o que não se vê
Antes de qualquer argamassa, o betão tem de estar limpo de verdade. As fichas técnicas da Secil e da weber coincidem no essencial:
- Sem poeiras, partes soltas ou desagregadas e sem eflorescências, que são os depósitos de sais esbranquiçados que aparecem à superfície.
- Sem descofrante nem gordura. A weber manda eliminar todos os vestígios de descofrantes e gorduras.
- Sem leitada. É a película fina e fraca de pasta de cimento que sobe à superfície do betão; tem pouca resistência e, se o reboco agarrar a ela, descola com ela. A weber também pede que se elimine.
- Humedecido antes de aplicar, em tempo seco ou quente. A Secil fala em humedecimento por rega; a weber em humedecer previamente o suporte.
Um teste simples ajuda a decidir: molhar o betão com uma trincha ou um pulverizador. Se a água escorre em gotas e não escurece a superfície, há película a tirar. Se molha por igual, o betão está pronto para a camada seguinte.
O chapisco: a camada que dá rugosidade
Limpo o betão, falta-lhe ainda rugosidade. É para isso que serve o chapisco, também chamado salpico: uma camada fina de argamassa lançada com força contra a parede, que fica áspera de propósito e dá ao reboco algo a que se agarrar.
A ficha do Redur Chapisco indica uma única camada de cerca de 3 a 4 mm, com um lançamento enérgico e dispersivo para criar uma superfície rugosa, e manda aplicar o reboco só depois de o chapisco endurecer. A ficha do weberprim chapisco aponta uma espessura de 2 a 4 mm e um intervalo de 3 a 7 dias até ao reboco. A mesma ficha dá uma ordem de grandeza da aderência sobre betão, medida em ensaio normalizado: 0,5 MPa aos 3 dias e 1,0 MPa aos 28 dias.
Um erro comum é alisar o chapisco com a talocha para ficar bonito. Perde-se precisamente o que se queria. O chapisco não regulariza nada, só prepara.
Com frio e chuva, espera-se
Estamos a entrar na época em que isto conta. As duas fichas limitam a aplicação a temperaturas entre 5 e 30 °C, e a da weber acrescenta que não se deve aplicar com tempo muito húmido, sob chuva ou com risco de gelo nas horas seguintes. Num pilar de fachada virado a norte, numa manhã de inverno, o betão pode estar mais frio do que o ar. Nesses dias preferimos adiar a frente de trabalho a ter de picar o reboco na primavera.
Quando o acabamento é estuque
Nos interiores, o betão das lajes e dos pilares leva muitas vezes estuque de gesso diretamente, sem reboco por baixo. Aqui a lógica é outra: em vez do chapisco de cimento, usa-se um primário de aderência próprio para gesso sobre betão.
A ficha do PAC 272 da Fassa Bortolo, um primário de resinas sintéticas e areia para rebocos de gesso e cal-gesso sobre betão, pede o contrário do chapisco em dois pontos: o suporte tem de estar seco, com humidade inferior a 3%, e o gesso só se aplica depois da secagem completa do primário. Também aqui há limites de temperatura, entre 5 e 35 °C. Molhar o betão antes de um primário destes, por hábito do reboco de cimento, é deitar o trabalho fora.
Onde o betão encontra o tijolo
Mesmo com o betão bem preparado, a junta entre o pilar e a alvenaria continua a ser um ponto sensível, porque os dois materiais se movem de maneira diferente. Como explicámos no artigo sobre cunhais, vãos e juntas, é aí que se reforça o reboco com rede. A preparação do betão resolve a aderência; a rede trata o movimento. Uma não substitui a outra.
Como se nota quando falhou
Um reboco descolado nem sempre se vê. Ao bater com o nó do dedo ou com o cabo de uma ferramenta, a zona soa a oco em vez de soar cheia. Em interior pode ficar escondido anos, até alguém furar a parede ou pendurar um móvel. Em fachada é pior: a água entra pela primeira fissura, o descolamento alarga e, no limite, caem placas. A reparação obriga a picar até ao betão e a começar de novo, e quase sempre custa mais do que a preparação que faltou.
A HR Construções executa rebocos, estuques e betonilhas em Vila Nova de Gaia e no Grande Porto, para construtores e particulares. Para orçamentos e informações, contacte o Pedro Santos pelo 918 874 688 ou em geral@hrconstrucoes.pt.
Fontes
- Secil, ficha técnica do Redur Chapisco (argamassa de execução de camada de aderência)
- Saint-Gobain Portugal, ficha técnica do weberprim chapisco (argamassa para chapisco de aderência em fachadas)
- Fassa Bortolo, ficha técnica do PAC 272 (primário de adesão para rebocos de gesso e cal-gesso sobre betão), cópia alojada por um distribuidor
- APFAC, Associação Portuguesa dos Fabricantes de Argamassas e ETICS: argamassas
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